quarta-feira, 28 de novembro de 2012

MUDE


Mude


Mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.

Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.

Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.

Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.

Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.

Durma no outro lado da cama...
depois, procure dormir em outras camas.

Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais...
leia outros livros,
Viva outros romances.

Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.

Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.

Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.

Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.

Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.

Escolha outro mercado...
outra marca de sabonete,
outro creme dental...
tome banho em novos horários.

Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.

Troque de bolsa,
de carteira,
de malas,
troque de carro,
compre novos óculos,
escreva outras poesias.

Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.

Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.

Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
E pense seriamente em arrumar um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light,
mais prazeroso,
mais digno,
mais humano.

Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.

E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.

Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.

Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda !

"Repito por pura alegria de viver:
a salvação é pelo risco,
sem o qual a vida não vale a pena"
Edson Marques

sábado, 24 de novembro de 2012

a nojeira atual

hoje tá foda. qualquer coisa que se fala que sai fora do senso comum é motivo pra escarnio.
O fato é que com a internet muito mais gente tem muito mais voz e possibilidade de expor suas opiniões. isso que na teoria seria uma coisa boa acaba virando um mural de idiotices. bons tempos quando só quem chegava a um certo nível podia opinar. a verdade é dura. quem sabe devia falar , quem não sabe devia escutar. tô de saco cheio de opiniões comuns. essas eu já sei. se vais falar o mesmo que todo mundo já fala, poupe sua saliva. isso eu já sei. se não tem nada a acrescentar, recolhasse a sua mesmice e tente aprender alguma coisa. opiniões partidárias, populistas e politicamente corretas deviam ser um motivo de vergonha para os seus vomitadores. antes era assim, onde isso se perdeu? é muito fácil vomitar o que se deglutiu. quem é você? o que você sabe? que base tem pra dar sua opinião? nem estou escrevendo direito, sem letras maiúsculas e tals, e dai? ninguém vai ler mesmo. mas se eu falasse algo igual ao que se fala por ae, você gostaria do texto. você só gosta do que conhece e só conhece o que fala o que você concorda e só concorda como o que te satisfaz. na boa, vai se fuder!

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O Ceticismo

"O ceticismo é a castidade do intelecto, e é vergonhoso entregá-lo cedo demais ou ao primeiro que chega: existe nobreza em preservá-lo com serenidade e altivez durante uma prolongada juventude, até que por fim, na madureza do instinto e da discrição, possa ser trocado, com segurança, pela fidelidade e pela placidez."
George Santayana (Ceticismo e Fé Animal, IX)